10 Julho, 2007

Workshop Azul — um relato

O workshop com o trio Azul no passado dia 22 de Junho foi um sucesso. Este é um relato pessoal (e tardio!) desse fantástico dia.

Trio Azul no Café Santa Cruz

Começámos o dia logo pela manhã com uma primeira parte dedicada aos instrumentos. Cada participante optou por assistir a uma das três sessões independentes. Chegada a hora do almoço, iniciaram-se as trocas de impressões entre os participantes visivelmente entusiasmados. Circularam descrições das reharmonizações com Coltrane changes do Frank Möbus; circularam frenéticas histórias sobre os sons de arco com pratos de bateria utilizados pelo Jim Black; circularam relatos da clareza com que Carlos Bica demonstrou o seu gosto pela simplicidade, a importância das pausas, das notas individuais e da colocação rítmica em geral. Circulou música.

À tarde juntámo-nos todos e formaram-se grupos para tocar diversos temas. Dois felizardos tiveram a oportunidade de tocar um pouco de free jazz com o Jim Black; dizem que foi uma excelente experiência. :-) Os vários músicos que tocaram nesta tarde tiveram a oportunidade de ouvir críticas altamente relevantes, construtivas e pedagógicas. Por certo, cada participante terá tido as suas epifanias distintas; estas foram duas das ideias principais que retive:


  • é indispensável ter convicção no que se toca. Por exemplo, não é boa ideia tocar um walking no baixo ou comping na guitarra só porque «é suposto» fazê-lo num determinado estilo de música;

  • é essencial ter consciência de diversas questões ao nível da orquestração. Isto é, cada músico deve ouvir o som que o grupo está a gerar e, em função disso, escolher a cada instante onde se quer colocar a nível harmónico, rítmico, tímbrico, etc. Nos seus concertos, o Jim Black ilustra frequentemente este processo de uma forma muito óbvia quando opta por simplesmente parar de tocar; o efeito com isto gerado é muito interessante.


À noite, dirigimo-nos para a Pensão Flôr de Coimbra na baixa de Coimbra para jantarmos um excelente Tofu à Espiritual, entre outros pratos com nomes menos interessantes. Seguiu-se uma jam session no Café Santa Cruz que se iniciou com dois temas do trio: «Canção de Embalar» e «Tea for Two».

O convívio musical prosseguiu pela noite fora. Penso que todos os participantes ficaram positivamente impressionados com a simpatia e abertura oferecidas pelo Carlos Bica, Jim Black e Frank Möbus. Ficamos-lhes imensamente agradecidos.