02 Setembro, 2008

"Como Criar uma Rotina de Treino Extra-Curricular" (ou "Aventuras Algarvias")

Olá a todos!

Cheguei há pouco de férias, e pensei compartilhar convosco o que fiz para não perder a pedalada durante este período de descanso...

Na ausência dos nossos magníficos Mestres, decidi adquirir/arranjar uma série de material para poder criar uma rotina diária de treino do meu instrumento, focando especificamente na estética jazz. Resumindo, peguei em toda a informação, material e conselhos que me foram dando ou que fui encontrando e carreguei um saco de viagem de tralha, com o intuito de dedicar pelo menos 1h por dia a praticar. As linhas que se seguem mostram as conclusões a que cheguei e apresentam alguns conselhos que tenho para vos dar sobre o assunto (do meu ponto de vista, claro!).

A primeira coisa que fiz foi delinear objectivos concretos para aquilo que, dado o pouco tempo disponível (sim!: para o meu atraso congénito, 1h por dia é pouco!) e o instrumento que toco (guitarra), gostaria de atingir no final das férias. Os meus objectivos particulares foram:

  • conseguir mais vocabulário de acordes para poder construir e improvisar chord melodies rudimentares (objectivo especificamente concebido para o meu projecto do Trio, onde tenho de me preocupar com melodia e harmonia durante solos e comping);

  • melhorar o meu «conhecimento horizontal e vertical do braço» (isto é, a gama de sonoridades e as possibilidades alternativas que 6 cordas e mais de 24 trastes ao longo do braço me dão);

  • melhorar a minha fluência em escalas;

  • melhorar a minha fluência em arpejos e chord tones.


Parti então na senda de organizar o meu material de estudo, tentando encontrar livros que me dessem garantia de solidez didáctica e pedagógica, e ao mesmo tempo me apresentassem ideias o mais diametralmente opostas possível. Eis o que descobri:

«The Jazz Theory Book» de Mark Levine é o livro de referência mais importante que descobri. Feito a pensar em qualquer instrumento, tem toda a teoria e mais alguma que possa interessar, tem ideias interessantes para rotinas diárias de treino, aplica os conhecimentos adquiridos na análise de temas e estilos de autores/intérpretes importantes, e ainda por cima aconselha uma discografia extensa e interessante. A não perder!

«Jazz Improvisation for Guitar», de Les Wise, está no espectro oposto: é um livro altamente prático, orientado a guitarra, que apresenta desenhos de escalas no braço, e aplicações altamente específicas para resolver II-V-I maiores e menores, explicando o mínimo de teoria para que uma pessoa não navegue completamente às cegas. Uma maneira óptima de entrar a todo o gás na arte da improvisação com guitarra; usado juntamente com o «The Jazz Theory Book» é indispensável para guitarristas iniciados como eu.

Qualquer dos livros anteriores focam bastante na perspectiva da escala, e do acorde como consequência da escala; um livro absolutamente espantoso para mim, uma verdadeira descoberta!, foi o «Jazz Improvisation for Guitar — a Melodic Approach» de Garrison Fewell. Este livro, obviamente orientado para guitarra, apresenta uma abordagem absolutamente inovadora (pelo menos para mim, um leigo na matéria) de estudar a improvisação no sentido contrário: partir dos acordes e das suas extensões possíveis (com tensão gerada dentro da tonalidade ou não), e gradualmente construir solos melódicos que, por consequência e não por causa, incluem as escalas em que os outros livros insistem. Vale mesmo a pena, e interessa mesmo a quem toca outro instrumento que não a guitarra.

Terceira e última perspectiva antípoda em termos de aplicação de teoria: o excelente livro (genérico) «Building a Jazz Vocabulary» de Mike Steinel. Para os espíritos que gostam de ordem e matemática, é como transformar o jazz em abstracção numérica (pelo menos na primeira parte do livro - depois, como em tudo na vida, este extremo toca os outros, no sentido em que o autor aplica a teoria à prática de improvisar). Para alguns cépticos, talvez isto pareça equivaler a retirar a alma da arte de improvisar; na minha perspectiva, não. Pelo contrário: uma perspectiva inicialmente mais fria permite largar «vícios de mente» e prosseguir uma via altamente original; os vossos solos parecerão inovadores! Além disto, este livro propõe rotinas de treino altamente interessantes (até tem uma tabela de sequências de tonalidades, para obrigar a melhorar o conhecimento do instrumento). Eu diria que será um livro essencial, principalmente para quem tem hipótese de estudar muitas horas por dia!

Para chord melodies, tentei o «Solo Jazz Guitar - the Complete Chord Melody Method» de Bill Hart. Este livro achei que era bom, mas não tão bom quanto os anteriormente referidos. Interessante, seja como for. Aprendi mais, porém, em aplicar as ideias que o nosso Mestre Serafim nos transmitiu quanto a acordes com extensões na guitarra; o problema, claro, é que surgiram-me dúvidas, e não tinha ninguém por perto que mas tirasse! Venha o ano lectivo 2008/2009! :-)

Sendo um guitarrista amador (por outras palavras, com um emprego de dia), preciso de atalhos: resolvi atacar o livro «101 Must Know Jazz Licks» de Wolf Marhall. Livro concebido para guitarristas, é uma excelente ferramenta para quem quer saber frases interessantes no estilo de grandes guitarristas. Mas atenção: não é para principiantes! Bem organizado por estilos, apresenta uma extensa discografia no fim e aconselha a transcrever solos que admiramos: verdade óbvia, indesmentível, e boa onda!

Resta falar do «Latin Guitar Masterclass» de Bruce Buckingham; não sendo um livro espectacular, há poucos do género e portanto vale a pena para quem quer tentar um jazz também latino-americano. É escrito para guitarristas, mas tem 2 páginas no fim que me parecem muito úteis para bateristas: »drumset patterns».

Uma hora por dia bem dividida em partes (períodos de 5, 10 e 15 mins) a estudar coisas de cada um destes livros juntamente com coisas do Sítio, e sinto-me bem mais completo. Só falta conseguir passar da prática em casa para o gig, mas estou lá quase! :-)

Bom: não me alongo mais desta vez — deixo uma reflexão sobre «solos escritos vs. solos improvisados» para a minha próxima (e não tão extensa) mensagem.

Beijos e abraços,
JFC

25 Julho, 2008

Fotografias das festas


Acabam de ser publicadas algumas fotografias das festas de final de ano 2007/2008 que decorreram nos passados dias 11 e 18 de Julho.

04 Julho, 2008

Festas de final de ano

fotografia da Universidade de Coimbra tirada a partir do Patelas

Decorrerá nos próximos dias 11 e 18 de Julho (duas sextas-feiras) a festa de final de ano lectivo do Sítio de Sons dos cursos Jazz e Livre, respectivamente. Este ano, as festas terão lugar no «Patelas», cuja excelente paisagem podem ver parcialmente na fotografia que acompanha esta mensagem. Quem não conhecer o local, poderá obter direcções neste mapa.

Este ano, esperamos iniciar as noites da melhor maneira; os jantares serão confeccionados no próprio local pela «Dona Especiaria». O preço do jantar é de 7€ para os alunos que vão tocar na festa e 10€ para as restantes pessoas e é necessário fazer reservas com pelo menos 3 dias de antecedência junto dos vossos professores ou na secretaria. Como é habitual, a entrada na festa propriamente dita é livre.

Horários:

  • Dia 11, festa do curso de jazz: 21h30
    (jantar às 19h00, não esquecer de fazer reservas)

  • Dia 18, festa do curso livre: 20h00
    (jantar às 19h00, não esquecer de fazer reservas)
Até breve!

20 Maio, 2008

Agenda Cultural de Fim de Maio

Caríssimos,

Continuando a minha desenfreada onda de auto-promoção, aqui vão algumas sugestões para os próximos fins-de-semana:

  • Sábado, 24 de Maio, 21h, Escola Agrária: Above Standard Trio! Para mais informações, visitem o nosso cantinho.
  • Sábado, 31 de Maio, 24h, Mortágua, bar "O Paulinho": Dualidades (covers pop-rock, mas com o vosso Passageiro no lugar do morto! ;-) ).

Beijos e abraços e espero ver-vos por lá,

JFC

05 Maio, 2008

Nasce o espaço Above Standard Trio no MySpace!

...passe a redundância!

Olá a todos,

Queria agradecer, em nome do Trio, a presença de tantos amigos do Sítio no Sara, no passado dia 26. Estamos muito sensibilizados com o vosso carinho!

Aproveito para vos convidar a visitar a nossa casa online, onde encontrarão o nosso manifesto e notícias sobre concertos futuros.

Espero que se divirtam por lá, e que os que são membros do MySpace nos deixem comentários amigos!

Até breve,
JFC

16 Abril, 2008

Sugestão de Agenda Cultural para Abril...

Caros amigos do Sítio,

Eu próprio, e num dos casos alguns outros vossos colegas do Sítio de Sons, temos algumas sugestões interesseiras para vos propor para o que resta deste mês (tudo sábados):

  • Dia 19 de Abril, a partir das 0h, no “Orgulho e Visa Bar” em Oliveira do Bairro, estará em palco a magnífica banda transnacional (Condeixa-Coimbra-Luso) de covers pop-rock (ah, e já me esquecia!: de culto) de seu nome Dualidades (a cinco: Jorge Sousa, teclas, guitarra acústica e vocs; Bruno “Maie”, bateria e vocs; Hugo Moreira, guitarra acústica e vocs; Paulo Garcia, baixo; je, guitarra eléctrica e vocs).

  • Mais relevante para o Sítio de Sons, dia 26 de Abril, a partir das 22h (21h30 para os que costumam chegar atrasados), no “Café-Bar Sara” (perto do bar “Bossa Nova”, em S. Sebastião) em Coimbra, fará a sua estreia mundial o grandioso Above Standard Trio, que em breve será uma formação de culto. Este extraordinário Trio é composto exclusivamente por alunos do Sítio: a deliciosa Ângela, vocs e percussão; a magnífica Inês Ochoa, contrabaixo e vocs; e de novo eu, guitarra e vocs.

Apareçam na maioria destes eventos (se não em todos), e prometo que ficarão bem servidos!

Beijos e abraços,
JFC

19 Fevereiro, 2008

Transcrever sem dor...

Caros membros do sítio (e não situacionistas, vejam bem!),

No meu périplo de vos ir dando a conhecer curiosidades musicais, hoje trago-vos novidades do mundo das transcrições.

Ora, como qualquer dos nossos magníficos docentes vos poderão informar, a arte da transcrição pode-vos levar a voar a outro tipo de altitudes no domínio do vosso instrumento; aliás, o desafio e a aprendizagem tornam-se respectivamente maior e mais valorizada se os vossos esforços de transcrição não se resumirem a análises do vosso próprio instrumento. (Ouviram, canteiras do Sítio?)

Bom; um grande mestre destas coisas do jazz, o Sr. Pat Metheny aconselhou ainda há bem pouco tempo no seu site o uso de uma ferramenta que vos poderá tornar a arte da transcrição bem mais acessível - digo-vos que, para músicos amadores cujo ganha-pão ocupa o «horário de expediente» e, muito provavelmente, têm a família em casa para ocupar uma boa parte do resto do horário (como eu!), toda a ajuda é bem-vinda! Esta ferramenta chama-se «Transcribe!».

Note-se, porém, que ninguém vos está a propor «batota»; continuarão a ter de fazer a transcrição com os vossos próprios ouvidos (que é o principal propósito desta tarefa). Só que a repetição infindável de «ouve, escreve as notas, oops!, anda para trás para ver se falta alguma coisa» é tornada muito mais suave devido à possibilidade de fazer isto digitalmente (ou, por outras palavras, usando o vosso computador para ler um CD ou um DVD, ou qualquer ficheiro de multimédia contendo áudio ou mesmo vídeo e áudio), adicionando ainda as utilíssimas vantagens de se poder desacelerar o trecho musical sem modificar a tonalidade ou mudar a tonalidade sem se mudar o tempo (ou modificar ambos de forma controlada)!

Além disto, o programa tem ainda um analisador de tempo e de acordes; este último tenta (com um grau de sucesso dependente da quantidade de ruído, afinação e timbres simultâneos na gravação) perceber qual o acorde presente num determinado trecho de áudio, e faz sugestões ao utilizador baseado no que conseguiu distinguir. Eu diria que esta ferramenta em particular acerta em 75% das notas do acorde que analisa; se uma destas for uma das que eu, por exemplo, num determinado momento não consigo ter a certeza, isto torna-se numa ajuda inestimável.

Espero que se divirtam a experimentar o software (que tem um período de experiência grátis) e que, se gostarem dele no fim de o experimentarem, o comprem; não é muito caro para o jeito que dá, e não, não ganho nenhuma comissão: este Passageiro do Som sempre defendeu a legalidade e a honestidade! :-)

Beijos e abraços,
JFC